ARTIGO: A substituição de processos cognitivos complexos e criativos teve início. / È iniziata la sostituzione di processi cognitivi complessi e creativi

PAOLO BENANTI é um frade franciscano e teólogo italiano que leciona ética da tecnologia na Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma) e na LUISS Guido Carli. Atuou como conselheiro do Papa Francisco e do Vaticano para IA e integra o Conselho Consultivo de Alto Nível sobre IA da ONU.

O teólogo e professor de ética da tecnologia na Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma), Paolo Benanti, argumenta que a IA generativa não é bolha: é um boom que já se paga ao integrar-se nos fluxos produtivos. O problema é que a transição de chatbots para agentes autônomos exige escala física incompatível — energia, chips, data centers, além de acesso a recursos naturais. Como diz o autor Azeem Azhar: "A infraestrutura que temos foi construída para um mundo de chatbots, mas cruzamos o limiar do mundo dos agentes. A distância entre o que precisamos e o que podemos fornecer está se ampliando." Os quatro grandes hyperscalers estabeleceram nível de investimentos de US$ 650 bilhões no ano, levando o indicador de tensão econômica (o peso da infraestrutura de IA sobre o PIB global) a uma faixa de alerta de 2%. O desafio ético, conclui Benanti, não está no fracasso da tecnologia, mas no seu sucesso: será preciso redefinir o contrato social, equilibrando aceleração produtiva com dignidade humana e integridade dos sistemas físicos do planeta.

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